Não escutei claramente o que você disse...Será que estou com perda auditiva?
- Angélica Soller
- há 10 minutos
- 3 min de leitura

“A surdez me ensinou a ouvir”. A frase, dita recentemente pelo ator Pedro Neschling no programa Sem Censura da TV Brasil, deve representar a opinião de muitas pessoas que convivem com algum grau de deficiência auditiva. O ator, que atualmente usa aparelho auditivo, revela na entrevista que esse recurso foi transformador em sua vida e que melhorou a sua empatia e sensibilidade com relação ao outro.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo (cerca de 18%) convivem com algum grau de deficiência auditiva. A dificuldade em escutar e interagir com os amigos e familiares pode levar a pessoa a não se interessar por atividades em grupo, desenvolvendo apatia, tristeza e, na pior das hipóteses, depressão, comprometendo a sua qualidade de vida e as suas funções cognitivas.
Agora faça um teste com você mesmo: tape os ouvidos e fique por alguns minutos em um ambiente onde várias pessoas conversam entre si, ou na plateia de uma palestra interessante, em um show musical, no teatro... e permita sentir as sensações de não compartilhar com o contexto, exatamente pela dificuldade de escutar. Pode ser desesperador.
As causas
São várias as causas que podem provocar a perda auditiva. O próprio envelhecimento natural é uma delas. A ocorrência da baixa audição com o avanço da idade, quando não tratada, pode levar o indivíduo à demência. A dificuldade em escutar sons e decifrar palavras exige do cérebro um esforço de energia, causando esgotamento, o que diminui a capacidade de memorização e resolução de problemas. Essa falta de estímulos sonoros contribui ainda para que as áreas do cérebro responsáveis pela audição e linguagem trabalhem menos, gerando danos neurológicos com o passar do tempo.
Outras doenças relacionadas ao equilíbrio e que são as grandes responsáveis pelas quedas, principalmente dos idosos (tontura, vertigem, labirintite, zumbido) também podem revelar uma forte conexão com a perda auditiva e merece investigação.
Há também os prejuízos decorrentes da exposição ao barulho intenso e durante longos períodos no ambiente de trabalho, sem o protetor auricular; o uso frequente de fones de ouvido no último volume; além de fatores genéticos; infecções mal curadas no ouvido; sequelas de doenças como meningite, caxumba, sarampo; perfuração do tímpano, entre outras.
O diagnóstico e o tratamento
A Audiometria é o exame feito por fonoaudiólogos que afere o grau da perda auditiva do paciente. O procedimento consiste de vários testes, realizados em cabine acústica, para detectar até onde a pessoa escuta o volume do som, a frequência sonora grave ou aguda, o reconhecimento de palavras, entre outros parâmetros que auxiliam no diagnóstico e na indicação do tratamento adequado.
Caso a recomendação seja o uso do aparelho auditivo, deixe o preconceito de lado e alegre-se pela oportunidade de poder ouvir e interagir de forma saudável com o seu entorno.
É importante salientar, no entanto, que existe um processo gradual para o paciente se adaptar ao equipamento. O médico otorrino e o fonoaudiólogo orientam sobre o melhor modelo (retroauricular ou intracanal), os ajustes ideais para que o som seja confortável aos ouvidos, o tempo de uso diário, o volume apropriado para ambientes mais calmos ou com mais ruído. É essencial também manter o acompanhamento anual, fazendo o exame audiométrico.

Em situações mais graves, quando o aparelho auditivo não é a solução, pode ser feita também a cirurgia de implante do dispositivo eletrônico no ouvido interno do paciente.
Seja com o uso do aparelho auditivo, ou após intervenção cirúrgica para tratar surdez severa, essas pessoas costumam ter um ganho considerável em sua saúde física, mental e emocional.
Por isso, ao perceber os primeiros sinais de que não está escutando bem - seja você, um familiar ou amigo - consulte um otorrinolaringologista. E atenção também aos pais e professores: no ambiente escolar se observarem alunos desatentos na sala de aula, com baixo rendimento e dificuldade de compreensão e aprendizado, talvez o problema esteja relacionado às habilidades auditivas deficientes.

Nesses casos, o otorrino, em parceria com o fonoaudiólogo, fará uma investigação mais profunda para concluir o diagnóstico e iniciar o tratamento o quanto antes.
Para uma avaliação personalizada, entre em contato com a Clínica L’Organi e marque uma consulta com os especialistas em Otorrinolaringologia e Fonoaudiologia.
Clínica L’Organi
R. Antônio de Macedo Soares, 1760
Campo Belo - São Paulo - SP
Telefone: (11) 5533-5522


Comentários